Para ouvir Deus

Em todos os tempos, os mensageiros celestes recomendaram o silêncio profundo, a fim de que os homens pudessem ouvir a voz divina.

Dizem que Deus não se revela em meio ao tumulto. Isso porque muito ruído desvia o pensamento, que não se consegue fixar no elevado objetivo de comunhão com a divindade.

Deus necessita do silêncio humano, a fim de se fazer ouvido por quem deseje manter contato com a Sua paternidade.

A Sua mensagem tem sido transmitida, ao longo dos tempos, transpondo os abismos das paixões humanas, permanecendo no ar, aguardando ser captada.

Por isso, o grande legislador hebreu, Moisés, subiu ao Monte Sinai, mergulhando no imenso silêncio.

Então, as vozes celestes se manifestaram, em nome do grande Pai, transmitindo as regras de ouro do Decálogo.

Contudo, não deixou Deus de prosseguir enviando aos Seus filhos novas instruções para a conquista da harmonia, da plenitude.

Na antiguidade oriental, a Sua palavra se fazia ouvir através dos sensitivos de variada denominação, conclamando à paz, à vitória sobre as paixões predominantes nos seres.

Nas furnas e nas cavernas, nas paisagens solitárias, Deus se desvelava, oferecendo o conhecimento da verdade que deveria ser assimilado, lentamente, através dos tempos.

O Modelo e Guia da Humanidade, Jesus, após atender as multidões esfaimadas de pão, de paz, de luz, buscava o refúgio da solidão para, em silêncio, poder ouvir o Pai, no santuário íntimo.

Robustecido pelas poderosas energias da comunhão divina, retornava ao tumulto e desespero das massas insaciáveis, a fim de lhes diminuir as dores e a loucura que tomava conta do imenso rebanho.

É dessa forma que lemos a respeito de Sua subida ao Monte Tabor para a oração mais profunda e os consequentes diálogos com os Espíritos de Moisés e de Elias.

E, aguardando Sua prisão e morte, Ele se retirou para o Monte das Oliveiras para o contato mais íntimo com o Pai.

Francisco de Assis buscava o acume dos montes e as cavernas para, em silêncio, ouvir Deus.

Da mesma maneira, nos refugiemos no silêncio para os colóquios com Deus.

Permitamo-nos a oração, que é diálogo puro com Deus. No silêncio, enviemos nossas rogativas. Nas mesmas asas do silêncio, nos retornarão as respostas, plenificando-nos de paz e tranquilidade.

*   *   *

Nestes dias agitados, há necessidade de buscarmos o silêncio para a renovação das paisagens íntimas, a fim de ouvir Deus, atentamente, pacificando-nos.

Quando nos habituarmos ao silêncio, nos haveremos de sentir luarizados pelas claridades sublimes do amor de Deus. Então, nos será muito fácil a travessia pelas estradas perigosas dos relacionamentos humanos.

Agiremos, com segurança e serenidade, em qualquer circunstância, feliz ou tormentosa, sem desespero, com admirável harmonia.

Tornemos o silêncio uma necessidade terapêutica, a cada dia, mesmo em meio aos afazeres que nos tomam as horas. Ou nas madrugadas insones, a horas mortas.

Permitamo-nos o silêncio que é comunhão com Deus.

Isolemo-nos do tumulto, com certa regularidade.

Habituemo-nos a esses momentos preciosos, que nos reabastecem o ânimo e revigoram as energias.

Redação do Momento Espírita, com base na mensagem
Silêncio para ouvir Deus, pelo Espírito Joanna de Ângelis,
psicografia de Divaldo Pereira Franco, na sessão mediúnica
de 9 de fevereiro de 2015, no Centro Espírita Caminho
da Redenção.

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