Desgraça Real

O que se entende por desgraça?

Desgraça significa infortúnio, infelicidade, caso triste. Acontecimento funesto. Calamidade.

Se existe a verdadeira desgraça haverá também a falsa?

Sobre este tema, o Espírito Delphine de Girardin dita alguns comentários.

Acha ele que os homens de uma maneira geral enganam-se acerca da infelicidade, pois a vêm, no credor ameaçador, no berço vazio do anjo que sorria, nas lágrimas, no coração partido, na angústia da traição. Eles se esquecem de que toda a ação humana deve ser vista pela sua consequência e não por ela em si mesma.

A miséria é um estado habitual de privação de bens supérfluos, de bens necessários à condição social e de bens necessários à vida.  Visitando lugares, alguns em condições subumanas, logo pensamos na injustiça de Deus. Mas será que há injustiça? Por que uns vivem na riqueza e outros na miséria? Se interpretarmos com as luzes da reencarnação, obteremos uma compreensão melhor da vida. O princípio da reencarnação mostra-nos que precisamos passar tanto pela prova da pobreza quanto pela prova da riqueza. Se hoje somos pobres é porque já fomos ricos no passado ou seremos no futuro.

Os furacões e os terremotos são uma espécie de infelicidade, e logo pensamos que Deus está se esquecendo da raça humana. Do ponto de vista pessoal, porém, esses flagelos são considerados como desgraças, porque ao tirarem a vida de um parente e mesmo de um amigo, acabam nos entristecendo e nos magoando. Do ponto de vista espiritual, os flagelos são úteis, porque fazem a humanidade progredir mais rapidamente.

Os Espíritos superiores orientam-nos para que não olhemos os fatos em si mesmos, mas pelas suas consequências. Se a consequência for boa é porque o ato também o foi, embora no princípio não o pareça.

Analisem as tempestades que assolam as cidades e os campos. Enquanto elas estão se processando, estamos reclamando e nos rebelando contra a vontade divina. Depois que ela passa, verificamos que estamos respirando melhor, que houve um saneamento no planeta. Somente aí é que começamos a ver o lado bom daquela destruição transitória.

Os Espíritos superiores afirmam que a verdadeira desgraça é a alegria, a fama, o prazer. É que essas ações fazem calar a consciência, roubando-nos o tempo que poderia estar sendo mais bem aproveitado no incremento de nossa evolução espiritual.

A infelicidade é o ópio do esquecimento que reclamamos diariamente. É preciso, pois, olhar tudo de uma forma invertida, a fim de que possamos captar a verdade por detrás dos fatos.

Saibamos agradecer as injunções de nosso caminho. Se julgarmos que a nossa desgraça é maior que a dos nossos vizinhos, façamos uma visita a um hospital, a uma prisão e veremos que a nossa dor não é tão grande quanto parece.

Bibliografia consultada.

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.

GREGÓRIO, Sérgio Biagi: A verdadeira desgraça. Disponível em <
https://www.ceismael.com.br/artigo/verdadeira-desgraca.htm >

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